Estado vende 40 % da REN por 592,21 milhões
Chinesa State Grid Internacional e omã Oman Oil Company vencem corrida
Estado vende 40 % da REN por 592,21 milhões
Para Santos Pereira, negócio “prova que existe confiança dos investidores estrangeiros e que há confiança nas empresas lusas”.
O Estado acordou, ontem, a venda de 40 por cento do capital da REN por 592,21 milhões de euros, o que representa um prémio de 150 milhões face ao preço do mercado. Em conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, Maria Teresa Albuquerque afirmou que, como se esperava, a chinesa State Grid Internacional e a Oman Oil Company, de Omã, foram as selecionadas, e ficarão com 25 e 15 por cento da empresa. A chinesa pagou 2,9 euros por ação, perfazendo 287,15 milhões de euros, enquanto a Oman Oil Company pagou 2,56 euros por ação, no total de 205,06 milhões de euros.
InvestImento e InternacIonalIzação
A secretária de Estado defendeu que “um aspeto muito importante [do plano estratégico com a State Grid] tem a ver com o financiamento que o China Development Bank disponibilizará para a REN, que permite à empresa ter muito maior conforto para enfrentar as necessidades de refinanciamento (…) até 2014 e também um apoio substancial para a realização do programa de investimentos”. A empresa chinesa, que disse estar feliz com a decisão de Lisboa, concorreu com o compromisso de conceder créditos à REN no valor de mil milhões de euros para financiar o investimento e necessidades de refinanciamento.
Maria Luís Albuquerque realçou, ainda, o compromisso assumido pela empresa chinesa de “criar duas ‘joint-ventures’, em que as empresas entram em igualdade de circunstâncias, para investimentos em Angola e Moçambique”. O acordo com a State Grid prevê ainda a internacionalização para o Brasil e para a China. No pacote de contrapartidas firmado com a empresa chinesa, revelou, está ainda previsto a criação de um consórcio com a REN para futuros projetos de transmissão no Brasil e programas bilaterais de intercâmbios e estágios, bem como um centro de excelência de investigação e desenvolvimento para projetos relativos à energia eólica «offshore» em Portugal.
“Sucesso da economia nacional”
Também o acordo com a Oman Oil Company, empresa detida pelo fundo soberano do sultanato de Omã, que passará a deter 15 por cento da gestora de redes energéticas, prevê “o desenvolvimento da economia nacional”. Maria Luís Albuquerque destacou que a empresa árabe é “um investidor estratégico tipicamente de cariz mais financeiro”, mas, realçou, que esta “mostrou-se entusiasmada com a perspetiva de cooperação entre ambos os países”. O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, considerou, por seu lado, que a segunda fase de privatização da REN, que vai permitir um encaixe para o Estado de cerca 600 milhões de euros, foi “um sucesso da economia nacional que prova que existe confiança dos investidores estrangeiros e que há confiança nas empresas portuguesas”.
PCP fala em “Profundo golpe”
Logo após o anúncio do Governo da alienação de uma participação pública de 40 por cento do capital da empresa, o presidente da REN, Rui Cartaxo, considerou falou num “dia especial” para a empresa que lidera, realçando que a gestora das redes energéticas nacionais inicia “um novo ciclo de vida”, “com uma estrutura acionista estável”: “a REN fica com uma estrutura acionista estável e virada para o crescimento e a internacionalização”. Já o PCP condenou esta decisão, considerando que a entrega da empresa a capitais estrangeiros é um “profundo golpe na segurança ao abastecimento energético”. “A REN é um monopólio natural, absolutamente estratégica para o País”, afirmou o deputado do PCP Agostinho Lopes, reforçando: “continuaremos o combate intransigente contra esta privatização que tão gravemente fere os interesses da economia nacional e a própria soberania nacional.”


































































