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Electricidade renovável — mitos e realidades

Published at: 20/02/2012
source: Público
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Energia é uma palavra que hoje em dia está nas bocas do mundo, mas é um tema de que, apesar de muitos dele falarem, poucos o entendem e percebem. A começar pelo facto de que a energia não se produz mas transforma-se.
Por exemplo, o carvão corresponde a uma forma de energia primária que posteriormente dá origem a várias
formas de energia final, tal como a electricidade, sobre a qual hoje escrevo.

 

Autor: António Sá da Costa, Presidente da Direcção da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis

Em Portugal a electricidade representa 25% da energia consumida, e é gerada a partir de combustíveis fósseis (gás natural e carvão) ou de fontes de energia renováveis (água, vento, sol, biomassa, etc.).
Os combustíveis fósseis apresentam vários inconvenientes.
São recursos finitos, importados, geram gases com efeito de estufa (GEE) quando queimados, são pouco
efi cientes devido às leis da física, e existe uma grande incerteza do seu custo, com tendência para ir sempre aumentando.
Se por cada unidade de electricidade (1 MWh) é necessário queimar cerca de 3 MWh de carvão ou 2 MWh de gás natural, em centrais hidroeléctricas apenas se necessita de 1,1 MWh. A partir do vento e do sol a efi ciência é mais baixa, mas este facto é compensado por o recurso ser ilimitado. A matéria-prima usada é gratuita, se bem que exista sempre a incerteza da sua ocorrência no tempo; contudo, já existem ferramentas que permitem fazer uma boa estimativa da produção renovável com um a três dias
de antecedência.
No actual estado da tecnologia, não se deverá pôr a questão de qual destas formas de produzir electricidade
se deverá escolher, pois ambas são necessárias. No entanto, na escolha do peso de cada uma delas procura-se muitas vezes comparar custos, e é necessário que essa análise seja abrangente.
Esta comparação tem de ser feita não apenas para um ano, mas para todo o período de vida das centrais, que podem ir dos 20 a 25 anos dos parques eólicos e fotovoltaicos aos mais de 80 a 100 anos das centrais hídricas, passando pelos 30 a 40 anos das centrais térmicas.

Deve-se ainda considerar que as centrais térmicas têm um custo inicial (custo fi xo) mais baixo do que as centrais renováveis, mas, por outro lado, têm custos de combustível (custo variável) para produzirem electricidade, que podem variar muito ao longo do tempo.
Os impactos económicos de cada solução devem também ser contabilizados. Em 2011, as renováveis (para este efeito excluem-se as grandes centrais hídricas) evitaram a importação de combustíveis fósseis no valor de 720 M€, e geraram mais de 10.000 empregos. Segundo os economistas, estes aspectos devem ser reforçados para ajudar o país a sair da crise. Também as poupanças conseguidas com a emissão de GEE nos últimos anos excedem os 100 M€ por ano. Além disso, e entre outros benefícios, as renováveis diminuem a dependência energética de Portugal, atraem investimento estrangeiro, promovem exportações e transferem riqueza para as populações locais.
Por outro lado, comparam-se os apoios dados a ambas as formas de gerar electricidade de forma distinta. No passado foram dados fortes apoios ao investimento em centrais térmicas fósseis, que são difíceis de quantificar e infelizmente são esquecidos, quando comparados com os apoios dados às renováveis nos últimos dez anos, que são fáceis de quantifi car, pois são atribuídos de forma transparente na tarifa, além de limitados no tempo, pois começam a cessar a partir de 2020.
Finalmente, deve-se considerar que a existência de produção de electricidade renovável diminui o preço de mercado com o qual ela própria é comparada. Em 2010 a redução foi de 0,7 c€/kWh, o que corresponde a 15% do valor total, e em 2011 este valor foi superior.
Se for feita uma análise comparativa correcta entre os custos destas duas formas de gerar electricidade, como consta do estudo Avaliação dos custos e benefícios da electricidade de origem renovável realizado pela Roland Berger, verifi ca-se que o diferencial de custo entre estas tecnologias é em média 1 c€/kWh, favorável à geração fóssil no período entre 2005 e 2010, correspondendo por um lado a um custo de 111 M€/ano, e permitindo uma poupança média em combustíveis de 407 M€/ano. Em termos anuais, as opções renováveis têm tido um custo superior às convencionais, mas, já em 2008, quando o barril de petróleo atingiu os 150 USD, esta tendência foi invertida.
E o futuro? No futuro prevêem-se mais anos com valores do preço de petróleo da mesma ordem de grandeza ou mesmo superiores aos de 2008, pelo que a balança vai cada vez mais pender para o lado das renováveis, além de que, a longo prazo, a electricidade de origem renovável vai ser cada vez mais barata, pois os apoios vão desaparecendo e os custos diminuindo com a evolução da tecnologia.
Estas conclusões confi rmam as vantagens de continuar a apostar na electricidade de origem renovável. Espero firmemente que a política de apoio à produção em regime especial renovável prossiga, com os necessários ajustes para acomodar os efeitos da crise, mas sem comprometer que se atinjam os objectivos estabelecidos.

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