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Renováveis com peso de 80% no consumo de energia no país

Published at: 29/05/2013
source: Diário Económico
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Em oito anos, o país reduziu em7% a sua dependência energética do exterior.

De Janeiro a Abril de 2013, a produção de energias renováveis,
superou os 80% do consumo de electricidade. A informação foi
dada ao Diário Económico por Sá da Costa, presidente da Associação
de Energias Renováveis (APREN), que revelou que esse pico “gerou uma
poupança de mil milhões de euros para o país”.

Mas é importante realçar que este é um caso exporádico. Em 2012, e de acordo com dados da Direcção-geral da Energia e Geologia (DGEG), o peso das renováveis foi de 45,3%. Número con- firmado por Filipe Gonçalves, presidente da Agência para a Energia (ADENE), que diz que “mais de 45% da eletricidade produzida em Portugal é baseada na utilização de Fontes de Ener- gia Renovável (FER) e cerca de 25% do consumo final de energia é satisfeito com recurso a ener- gias renováveis”. O responsável não tem dúvidas de que estes dados revelam que Portugal “apre- senta um dos melhores registos históricos a nível europeu no cumprimento da incorporação de FER no consumo bruto de energia”. Ao fazer uma síntese global do Plano Nacional de AcçãoparaasEnergiasRenováveis(PNAER),Fi- lipe Gonçalves afirma ser possível concluir que “em 2010, a quota global de FER alcançou 24,6% do consumo final bruto de energia, o que representa uma evolução de 5% face a 2005”. Já para o horizonte 2013 -2020, diz ser “expectável que se continue a verificar uma evolução favorá- vel da meta global de utilização de FER, com vista ao cumprimento da meta estipulada para 2020, dado o abrandamento da procura de energia aliado a uma aposta séria e contínua na pro- moção das energias renováveis nos diversos sectores”. A aposta tem sido clara e de acordo com Sá da Costa, o “sector de produção de electricidade a partir de fontes renováveis de 2000 a 2012 multi- plicou por dez a potência instalada”. O responsável sublinha que o facto do peso da produção das renováveis ter aumentado em Portugal, levou a que o país reduzisse, “nos últimos oito anos a sua dependência energética, em cerca de 7%”. Além disso, Portugal poupou 6,3 mil mi- lhões de euros na importação de combustíveis fósseis, entre 2005 e 2012, através da capacidade instalada de energias renováveis, essencialmente água e vento. Estes são alguns dos benefícios associados às renováveis, a que se juntam “as vantagens am- bientais e a criação de emprego, nas contrapartidas ao Estado e na dinamização da economia lo- cal”, afirma. É importante sublinhar que Portugal já atingiu o compromisso na percentagem de produção de energia a partir de fontes renováveis face ao consumo final. Teresa Ponce de Leão, presidente do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), destaca que “a penetração de renová- veis é o dobro da média europeia sendo o nosso compromisso para 2020 cerca de 30% acima da meta europeia”. De frisar que Portugal é “actualmente um exemplo em matéria das ‘energias renováveis’, devido ao forte peso que os centros eletroprodutores baseados em fontes renováveis de energia têm no mix energético nacional”, sublinha João Sousa, CEO da Prewind, que destaca que estes centros permitiram “o aparecimento de um novo ‘nicho de mercado’ que provocou a proliferação de em- presas novas ou a expansão de outras, gerando emprego e acrescentando valor para o país”, re- fere. O caminho percorrido tem sido o correcto, mas “há ainda um longo caminho a percorrer quer no que respeita a condições técnicas e segurança das redes de abastecimento, quer no estabeleci- mento de um ‘novo mercado de electricidade’” diz Sá da Costa, que frisa o facto do país “estar na linha da frente e pronto a recolher os benefícios”, da aposta que fez. Porém, diz haver “as- pectos que é necessário corrigir”. A primeira prioridade, “é que seja definitivamente restabe- lecida a estabilidade regulatória, posta em causa desde meados de 2011 devido às imposições do memorando com a Troika”, considera, acrescentando ser necessário, “melhorar a coordena- ção entre a tutela da Economia e do Ambiente no que diz respeito aos projectos de energias reno- váveis, resultando na agilização dos processos de licenciamento ambiental e compatibilização dos instrumentos de gestão territorial”. Há também que aproveitar melhor os recursos do país. Desde 2004, e de acordo com o Eurostat, Portugal tem vindo a aumentar a sua quota de energias renováveis, mas comparativamente com países com menores recursos, o país podia estar melhor posicionado. É que Portugal regis- tou, em 2011, a sexta percentagem mais elevada, 24,9%, do consumo final bruto de energia na União Europeia (UE), de acordo com dados divulgados em Março. Um crescimento de 2,2% face ao ano anterior.

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